Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

Agora que tomou posse o novo governo, talvez valha a pena regressar à polémica sobre o acordo ortográfico (AO). O novo governo poderá, eventualmente, aproveitar a descrispação política que parece ter-se instalado por algum tempo para tentar fazer avançar a execução do AO.

Neste blogue sempre lamentei que a polémica em torno do acordo tenha acabado por ficar demasiado politizada, em vez duma discussão civilizada entre pessoas com algum conhecimento sobre a matéria. A falta de cuidado de alguns inimigos do AO, que deixaram “encostar-se” à contestação algumas pessoas com posições xenófobas ou mesmo racistas (contra o Brasil, nomeadamente), prejudicou bastante a qulidade do debate.

O novo governo não deve olhar para trás, mas antes para a frente (apreciei sobremaneira a declaração de Passos Coelho na noite das eleições de que não iria falar do passado para “justificar” qualquer falha do presente). E a causa da defesa da língua portuguesa deve reunir todas as forças disponíveis. Entre os inimigos do AO há muitas pessoas verdadeiramente empenhadas na defesa da nossa língua e não seria inútil que houvesse a habilidade suficiente para os trazer de volta a consensos alargados sobre uma política da língua.

Os leitores deste blogue sabem bem que nunca fui um entusiástico defensor do acordo, mas sempre contestei que se pusesse em causa um acordo internacional por questões de menor importância. Claro que não gosto da eliminação de consoantes átonas com que estou habituado a escrever, claro que tenho adiado a aplicação do acordo neste blogue (enquanto não for obrigatório, vou-me mantendo no meu comodismo), mas aquilo que os adversários do AO não me conseguem explicar é a urgência, a necessidade, a premência de dificultar as nossas relações com os países de língua portuguesa por causa de alguns (poucos) incómodos que nos possam causar as pouquíssimas alterações ortográficas introduzidas pelo AO.

Se me conseguissem explicar, então talvez me convencessem que valeria a pena voltar a falar com os outros países signatários do acordo e fazer uma revisão que melhorasse o AO. Mas não seria o esforço desproporcionado?

Enfim, seja como for, aqui vão três conselhos singelos: em primeiro lugar, deve-se alterar o menos possível o que já está em curso. A matéria é suficientemente polémica para que mereça a pena introduzir novos factores de divisão; em segundo lugar, devem ser ouvidas todas as partes na contenda, sem hostilização de ninguém. Como tenho dito repetidamente há entre os adversários do AO muitas pessoas qualificadas e o país precisa de todas. Em terceiro lugar, tentar manter o “soufflet” desinchado, evitando dar demasiada importância ao assunto.

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