Adj.: Diz-se do estilo que não tem excessos nem redundâncias; elegante

 Nos jornais desportivos de Portugal, nos últimos tempos, tem aparecido com alguma frequência o termo “ilusão” em frases que parecem um pouco absurdas na nossa língua. Exemplos: “Vamos disputar com muita ilusão o próximo jogo” ou “na nossa equipa jogamos sempre com muita ilusão”. Normalmente, trata-se de declarações de jogadores espanhóis ou da América latina que são “traduzidas” à pressa e à letra nas redacções. Erro. Em espanhol, e só em espanhol (não acontece em mais nenhuma língua neolatina) o termo “ilusión” ganhou, no período romântico, uma conotação ligeiramente diferente do significado do termo original em latim. No excelente dicionário María Moliner a segunda definição de ilusión reza assim: Alegria o felicidad que se experimenta con la posesión, contemplación  o esperanza de algo

Veja-se, a este propósito a entrada do dicionário da Real Academia da Língua Espanhola , em especial as definições números 2, 3 e 4 ou leia-se o último parágrafo desta definição encontrada Wikipedia.

Para quem quiser uma explicação mais completa, aqui vai uma parte de um ensaio de Juliám Marías sobre o assunto:

«UN SECRETO DE LA LENGUA ESPAÑOLA.

La palabra ilusión proviene del latín illusio

Iluso: el que está engañando.

Ilusor: el que engaña a otro.Ilusorio

: algo que engaña.Pero es en el español donde comienza a aparecer el significado positivo de la palabra ilusión

. Con este significado, comienzan a surgir distintas expresiones como “tener ilusiones”, “vivir con ilusión“, etc. El cambio semántico de ilusión tiene lugar en los primeros decenios del siglo XIX, pero no fue registrado por los diccionarios hasta finales de dicho siglo. Hasta entonces, la ilusión era fruto de la imaginación, algo engañoso, un sueño imposible de alcanzar (hacerse ilusiones). En 1875 sigue su significado negativo, pero empieza a verse el positivo, aunque predomina la noción de error. Pero ya podemos ver que la ilusión nos es imposible de alcanzar o no, y si es así, si la podemos hacer realidad, nos brinda felicidad y satisfacción. Así, también cabe destacar que toda ilusión está inseparablemente unida a la posibilidad de la desilusión; cuando no conseguimos nada, cuando creemos que algo nos va a provocar bienestar y al final no es así, nos desilusionamos. A mediados del siglo XX se comienza a registrar la mayor parte de los aspectos positivos de esta singular palabra: tener ilusiones, hacer algo o poseer algo que nos haga sentirnos bien.»Como os meus leitores bem sabem, não me incomodam muito as influências de outras línguas na nossa, mas teimo em chamar a atenção para influências que resultem apenas de ignorância pura. Já aqui me insurgi contra a generalização do termo “provador” para designar as cabines de prova nas lojas de roupa. Em português, um provador é uma pessoa que prova, tal como um comedor é uma pessoa que come (em espanhol, comedor é refeitório).

Não tenho ilusões (em português) quanto à eficácia destas críticas, já que a simplificação, a pressa e o imediatismo dos efeitos são verdadeiros ídolos do nosso século. Mas continuarei a fazê-las con ilusión (em espanhol).  

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